segunda-feira, 27 de maio de 2013

Espetáculo de dança revela encantos de Maiandeua

Charretes são principal meio de transporte em  Maiandeua
Dois meses depois do sucesso do espetáculo “Copélia”, realizado no Teatro da Paz no mês de abril o Centro de Dança Ana Unger está em clima de preparação para o espetáculo “Maiandeua, a Lenda da Princesa”, que acontece no dia 18 de junho, em duas seções, na sede campestre da Assembleia Paraense. O espetáculo traz uma verdadeira viagem à ilha de Maiandeua, conhecida como Algodoal, localizada no município de Maracanã, região nordeste paraense.

A ilha, considerada um verdadeiro paraíso ecológico, é tida pelos paraenses como opção de lazer e turismo, especialmente no período das férias escolares. O local também é palco de muitas histórias que fazem parte do imaginário e tradições da Amazônia, como a lenda da princesa encantada que, de acordo com os moradores, protege o local com sua magia de modo a impedir a degradação do ecossistema.

Praia da Princesa
O espetáculo contará com a participação de alunos do Centro de Dança e integrantes da Companhia Ana Unger e traz também depoimentos de moradores locais e surpreendentes vídeo cenários com imagens reais captadas na ilha, que mudam de acordo com as coreografias. No roteiro musical foram inclusas músicas de artistas regionais que remetem aos encantos de Maiandeua, como Trio Manari, Iva Rothe, Arraial do Pavulagem, Pio Lobato, Sebastião Tapajós e Jaafa Reggae.

Professora Ana Unger ao lado de Chico Braga durante
visita de pesquisa em preparação ao espetáculo
Um dos mais célebres moradores de Algodoal, o cantor e compositor Chico Braga, é autor da música inédita que é tema do espetáculo ele também assina mais três outras canções regravadas especialmente para o evento. Fazem parte ainda do roteiro mais duas músicas inéditas: uma delas composta pelo maestro Miguel Campos Neto, que também rege a Orquestra Sinfônica do Teatro da Paz na execução. A outra canção, considerada pela diretora da Companhia de Dança Ana Unger como um grande presente, intitulada “Maiandeua”, foi composta pelo governador do Pará, Simão Jatene, e é interpretada pela cantora Lucinha Bastos.

Encantos de Maiandeua
Os preparativos estão a todo vapor com o empenho de uma grande equipe para levar ao público as belezas e a magia da ilha, mas especialmente a consciência sobre a necessidade de preservação ecológica para as futuras gerações, que é um dos principais objetivos da escolha de Maiandeua como tema do espetáculo que faz parte das comemorações pelos 15 anos de atividades do Centro de Dança Ana Unger.  Ainda em clima de celebração, outros eventos estão agendados até o final do ano, dentre os quais a participação da Companhia Ana Unger no Festival Internacional de Ópera do Pará, organizado pelo Governo do Estado, e o grande espetáculo de fim de ano, que acontecerá no mês de dezembro.

Canoa que transporta visitantes e moradores pelos furos
Maiandeua – Localizada há 182 km de Belém, no município de Maracanã, o acesso é feito principalmente pelo porto localizado no distrito de Marudá (Marapanim). A travessia leva cerca de 45 minutos e já vai levando os visitantes a conhecerem um pouco das belezas de Maiandeua. O nome, em tupi, significa “Mãe da Terra”, mas a ilha é mais conhecida como Algodoal. Até hoje não se confirma se o apelido surgiu em virtude da existência de uma planta nativa chamada algodão de ceda que era encontrada em abundância na ilha ou se por causa da cor da areia das praias e dunas que fazem parte do cenário muitas vezes paradisíaco deste lugar encantado.

Mesmo com luz elétrica, Maiandeua não perde seu charme
A luz elétrica chegou apenas há alguns anos, mas o progresso também trouxe consequencias negativas pelo eventual aumento de visitantes, o que acarreta na maior produção de lixo, muitas vezes deixado nas praias e outros locais, sem o cuidado necessário. A ilha é considerada Unidade de Preservação Ambiental de Uso Sustentável desde 2006 e por isso são proibidos de circular veículos de tração motorizada, exceto os de serviços de utilidade pública. O principal meio de transporte são as charretes, que dão um charme especial ao local.

Viagem de charrete
Entre os locais mais visitados está o Lago da Princesa que, de acordo com relatos dos moradores, conta com a proteção de uma princesa encantada, filha do rei Sebastião, cuja lenda remete ao movimento místico do “Sebastianismo” ocorrido em Portugal na segunda metade do século XVI. A versão local da lenda dá conta de que o navio que trazia uma das princesas filhas do Rei Sebastião teria naufragado na costa atlântica, próximo à ilha e após o incidente a princesa teria sido encantada, passando a habitar o local.

Por-do-sol em Maiandeua
Ainda como parte da lenda, a princesa convocara um pescador para “desencantá-la”, prometendo-se em casamento caso este conseguisse o feito, no entanto, ele teria que ter coragem para enfrentar e matar a boiúna (cobra grande ou cobra Norato). A quebra do encanto também traria à tona a cidade dos encantados que de acordo com a lenda estaria submersa sob um pedral no meio do mar, às proximidades da ilha, e afundaria as cidades localizadas no entorno de Algodoal. O pescador, no entanto, foge de medo e a princesa fica bastante triste, tendo redobrado seu encanto.

Currais de pesca estão espalhados pela ilha
Parte da lenda reza também que nenhum elemento pode ser retirado da ilha, especialmente das proximidades do lago, sob pena de sofrer sérias consequencias como febre alta e fortes dores de cabeça enquanto o que tenha sido retirado não for devolvido ao seu lugar. Alguns moradores afirmam já ter tido contato com a princesa encantada. Os relatos dão conta de que ela aparenta ser uma jovem de aproximadamente 16 anos, com longos cabelos claros, um vestido esvoaçante branco e que ao caminhar seus pés não tocam o chão. Chico Braga é um dos que relata já tê-la visto diversas vezes e, de acordo com ele, ela sempre pede que proteja a ilha.

Fortalezinha, paraíso quase deserto
Chico Braga – Compositor de mais de uma centena de letras de carimbó que relatam o modo de vida simples do caboclo amazônida, este ilustre morador de Algodoal na verdade nasceu em Maracanã e depois passou a morar em Belém. Já adulto voltou para a sede de Maracanã e depois encantou-se com Algodoal e com a Princesa.

É uma verdadeira celebridade da ilha, sua casa fica em meio às dunas próximo à Praia da Princesa, ao lado de um enorme cajueiro, onde vive praticamente sozinho, cercado de mais de uma dezena de cachorros, tidos por ele como grandes companheiros e guardiões, não deixando que ninguém se aproxime da casa. A inspiração para as composições vem da janela de casa, no lugar que ele escolheu para viver. O sustento vem da pesca ou de pequenas apresentações que faz aos turistas nos bares e pousadas localizados na vila de Algodoal.

vegetação em meio ao pedral, à beira do mar
Ele afirma que nunca ganhou muito dinheiro com as composições, inclusive gravadas por artistas locais, como o celebre Pinduca, tido como o “Rei do Carimbó”. Assim como a Princesa, o cantor e compositor se diz também um defensor da ilha e que os moradores e visitantes precisam ser conscientizados sobre a necessidade de preservação do lugar.




Serviço:
Espetáculo Maiandeua 
18 de junho, às 17h e às 20h30, na sede campestre da Assembleia Paraense, na Av. Almirante Barroso.

Informações: 3241-4130


Mais dos encantos de Fortalezinha

Moradores vivem integrados com a natureza

Texto e fotos: Fabrício Coleny - Aldeia Amazônia

Um comentário:

  1. o espetaculo foi maravilhoso, somente Ana Unger para retratar os segredos de Algodoal!

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