quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Cacique de MT é demitido da Funai por criticar usina

Megaron, que é famoso entre políticos, sempre se envolveu em polêmicas e ganhou notoriedade no mundo


Um das mais importantes lideranças indígenas de Mato Grosso, o cacique Megaron Txucurramãea, da etnia caiapó, foi demitido da função de coordenador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), em Colíder (650 km ao Norte de Cuiabá).
A exoneração foi oficializada na segunda-feira (31) e o motivo são as constantes críticas do cacique à construção de usinas hidrelétricas pelo Governo Federal, com destaque para Belo Monte, no Oeste do vizinho Estado do Pará.
Megaron, ao lado de outro líder caiapó, Raoni Txucarramãe, tem liderado protestos contra a Funai. Ele costuma ser recebido por líderes políticos. No Governo Blairo Maggi (PR), ele foi recebido, em várias oportunidades, no Palácio Paiaguás. Também é muito respeitado pelo atual governador, Silval Barbosa (PMDB).


Confira a íntegra da reportagem da Folha.com, feita pelos repórteres Aguirre Talento e Cláudio Angelo:


Caiapó que criticava Belo Monte é demitido da Funai 
O coordenador regional da Funai (Fundação Nacional do Índio) no município de Colíder (norte de Mato Grosso), Megaron Txucarramãe, foi exonerado do cargo na última segunda-feira (31). Ele ocupava o posto desde 1995.
Megaron, que é uma liderança dos índios caiapó e sobrinho do cacique Raoni, diz que foi demitido por causa de sua oposição às hidrelétricas planejadas pelo governo federal, dentre as quais está Belo Monte.
O presidente da Funai, Márcio Meira, disse que não comentaria a demissão. Por meio de sua assessoria de imprensa, o órgão negou que o episódio tivesse vínculo com a usina --disse apenas que o caiapó "não estava mais cumprindo" sua função.
A demissão causou revolta entre os caiapós, que enviaram ontem uma carta ao Ministério da Justiça pedindo esclarecimentos sobre o caso e planejam realizar protestos em Colíder (a 650 km de Cuiabá).
O Movimento Xingu Vivo, que também é contrário a Belo Monte, divulgou ontem à noite a demissão e classificou-a de "vingança mesquinha".
Na semana passada, os caiapós participaram de uma invasão ao canteiro de obras de Belo Monte em Vitória do Xingu (no oeste do Pará, a 945 km de Belém).
"Fui convidado a participar da manifestação, meus parentes me chamaram, só que não pude ir. Mas o pessoal da Funai sabe que eu sou contra [as hidrelétricas]. Vou continuar a luta dos meus parentes para defender o rio Xingu sem barragem", afirmou Megaron.
Ele se queixa de não ter sido informado diretamente pela Funai de sua demissão. Megaron ficou sabendo por meio de um telefonema de uma amiga.
"A Funai não está lá para ajudar o índio. Temos tantos problemas a serem resolvidos e eles não resolvem", criticou.
Megaron foi um dos negociadores no protesto de índios caiabi que, há duas semanas, fizeram reféns funcionários da Funai para manifestar-se contra a instalação de uma hidrelétrica no rio Teles Pires (na divisa entre Pará e Mato Grosso).


Caiapós
Os caiapós, nome dado a uma série de tribos de língua jê que vivem na bacia do Xingu, são os principais adversários de Belo Monte desde que a usina foi projetada, durante o regime militar.
Em 1989, a líder caiapó Tuíra ameaçou com um facão o então presidente da Eletronorte, José Antônio Muniz (hoje presidente da Eletrobras) num encontro para discutir o projeto.
Na mesma época, Raoni Txucarramãe atraiu celebridades como o cantor Sting para protestarem contra a usina. A oposição dos caiapós foi um dos fatores responsáveis pelo engavetamento do projeto.
Em 2009, depois que o governo Lula decidiu retomar a obra, Tuíra voltou à carga e feriu um engenheiro da Eletronorte com seu facão.
Apesar de a aldeia de Raoni e Megaron ficar a mais de 800 km da barragem, os índios afirmam que Belo Monte é apenas a primeira de uma série de hidrelétricas na região.




Fonte: Mídia News - Marcos Vergueiro/Secom-MT 

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