domingo, 30 de outubro de 2011

Regional Norte II da CNBB digulga Nota de solidariedade à família de João Chupel Primo e à Prelazia de Itaituba

CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL
CNBB – Regional Norte 2

Belém, 28 de outubro de 2011
  
Mais uma vida ceifada, mais uma pessoa inocente morta, quantos mais...

 O Secretariado, Pastorais e Organismos do Regional Norte 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil presta sua solidariedade a família de João Chupel Primo e a Prelazia de Itaituba pela perda do líder comunitário.

João Chupel Primo era coordenador da comunidade católica de Miritituba, em Itaituba, Pará, foi morto brutalmente por defender a vida, por denunciar a grilagem de terras e extração ilegal de madeira. Até quando meu Deus vamos ter no chão de nossa Amazônia banhado de sangue de defensores da vida.

É um absurdo continuarmos assistindo a tudo isso como simples espectadores. Até quando o poder público de fato tomará medidas estratégicas para coibir tais crimes, João Chupel registrou vários Boletins de Ocorrência, na Policia local, das ameaças de morte que vinha sofrendo, agora depois de morto é que se tomarão providências.

Isso para nós não nos intimida, continuaremos lutando em defesa da vida e da floresta.

A Dom Wilmar Santin e a todos da Prelazia de Itaituba, pastorais e organismos, prestamos nossa solidariedade, firme na luta, “No mundo haveis de ter aflições, mas coragem, eu venci o mundo” (João 16, 33b).

Orlanda Alves
Secretária Executiva
Regional Norte 2 - CNBB

Comissão Episcopal apoia prelazia de Itaituba e familares de João Chupel

Dom Guilherme Werlang, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o serviço da Caridade, da Justiça e da Paz assina nota de apoio à Prelazia de Itaituba, Pará, e aos familiares de João Chupel Primo, líder comunitário assassinado no último sábado, dia 22 de outubro.
A íntegra da Carta

Mataram mais um irmão...mas ele ressuscitará!

A Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade da Justiça e da Paz se dirige aos familiares de João Chupel Primo, aos membros das comunidades e ao bispo prelado Dom Frei Vilmar Santin manifestando a solidariedade em um momento difícil pelo assassinado de mais um líder comunitário.
A morte de João nos entristece. Mataram um pai de família, um líder comunitário, um defensor das florestas, um cristão que buscava viver a sua fé através do engajamento nas atividades da Prelazia de Itaituba. Ao mesmo tempo manifestamos preocupação pela fragilidade e descompromisso dos órgãos oficiais encarregados do zelo e cuidado das pessoas que defendem a justiça e a vida. Sabe-se que o Exercito já estava atuando na região como também a Polícia Federal, mas deixaram a região permitindo que a extração ilegal de madeira proliferasse.
A Comissão manifesta o apoio aos que sofrem esta perda irreparável, soma-se a todos os que exigem a punição aos envolvidos neste crime e incentiva a todos/as que crêem em Cristo crucificado a permanecerem na luta. Nisto lembremos o que nos diz o profeta Amós “que a justiça e o direito corram como um rio”.
Na força e coragem do Ressuscitado!
Dom Guilherme Antonio Werlang
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade,
da Justiça e da Paz – CNBB.

Indígenas e pescadores ocupam canteiro de obras de Belo Monte

Cerca de 300 indígenas, pescadores e ribeirinhos da bacia do rio Xingu estão acampados pacificamente, desde a madrugada do dia 27/10, no canteiro de obras de Belo Monte para exigir a paralisação das obras da usina hidrelétrica, em Altamira, no Pará.  A rodovia Transamazônica, na altura do quilômetro 50, também foi interditada. O protesto não tem prazo para terminar.
"Diante da intransigência do governo em dialogar e da insistência em nos desrespeitar, ocupamos a partir de agora o canteiro de obras de Belo Monte e trancamos seu acesso pela rodovia Transamazônica. Exigimos que o governo envie para cá um representante com mandado para assinar um termo de paralisação e desistência definitiva da construção de Belo Monte", diz a declaração dos Povos do Xingu contra Belo Monte, resultado do seminário realizado em Altamira esta semana.
"Belo Monte só vai sair se cruzarmos os braços. Não podemos ficar calados. Temos que berrar e é agora", disse Juma Xipaia, liderança indígena Xipaia, uma das etnias afetadas por Belo Monte. "Somos guerreiros e não vamos pedir nada ao governo, mas exigir o que a Constituição nos garante. Nossos antepassados lutaram para que nós estivéssemos aqui. Já foram feitos vários documentos, várias reuniões e nada mudou. As máquinas continuam chegando".
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) havia convocado o Governo brasileiro a dar explicações sobre a ausência de medidas de proteção aos direitos das populações indígenas e de outros grupos ameaçados pelo projeto de Belo Monte, como foi solicitado pela instituição, no início de abril.  De acordo com a CIDH, o governo deveria cumprir a obrigação de realizar processos de consulta com cada uma das comunidades indígenas afetadas *antes* da construção da usina. A audiência com o Comissariado da CIDH deveria ter acontecido ontem, mas no final da semana passada o governo brasileiro, surpreendentemente, anunciou que não enviaria representação para esta reunião.
"É uma vergonha a maneira como nosso próprio governo nos tratou, com contínuas mentiras e negando-se ao diálogo com as comunidades afetadas", disse Sheyla Juruna, liderança indígena do Movimento Xingu Vivo Para Sempre, que foi para Washington participar da reunião promovida pela CIDH. "Estou horrorizada por ver como somos tratados em nossa própria terra sem ter sequer o direito de sermos consultados sobre esse horroroso projeto", acrescentou durante coletiva na sede da OEA.
Ontem (26), a Justiça adiou, mais uma vez, a decisão sobre a continuidade das obras de Belo Monte com novo pedido de vistas - desta vez, da desembargadora Maria do Carmo Cardoso. O julgamento da Ação Civil Pública impetrada pelo Ministério Público Federal do Pará (MPF-PA) está empatado no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), com um voto contra e outra a favor da usina.
Caso a desembargadora Maria do Carmo vote junto com a desembargadora Selene Almeida, que se posicionou pela ilegalidade do projeto por considerar que as consultas indígenas não aconteceram conforme prevê a Constituição, a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho e a diretriz da Convenção Interamericana de Direitos Humanos, as obras de Belo Monte poderão ser paralisadas.
O acampamento no canteiro de obras de Belo Monte será permanente: convocam-se outras entidades e movimentos nessa luta.


Matéria produzida pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI)

"Estou horrorizada por ver como somos tratados em nossa própria terra sem ter sequer o direito de sermos consultados sobre esse horroroso projeto"

Sheyla Juruna, liderança indígena do Movimento Xingu Vivo Para Sempre, referindo-se à Hidrelétrica Belo Monte, durante coletiva na sede da OEA em Washington, na reunião promovida pela CIDH 

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Brasil recicla 17,7 bilhões de latas de alumínio em 2010

Índice de 97,6% mantém país na liderança do ranking mundial pelo décimo ano consecutivo
A Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade (Abralatas) e a Associação Brasileira do Alumínio (Abal) divulgaram nesta quinta-feira, em Brasília, o novo índice de reciclagem de latas de alumínio para bebidas, que, pelo décimo ano consecutivo, é o maior do mundo. O país reciclou 239,1 mil toneladas de latas de alumínio para bebidas, das 245 mil toneladas disponíveis no mercado em 2010. Com isso, a reciclagem atingiu 97,6% das latas comercializadas, o equivalente a 17,7 bilhões de unidades.
O diretor executivo da Abralatas, Renault Castro, destaca que a indústria fabricante de latas de bebidas tem acompanhado o aumento da demanda, com investimentos de mais de US$ 765 milhões. “Esses investimentos aumentarão em 50 % a atual capacidade instalada do setor, elevando-a para 25 bilhões de latas/ano”, ressalta.
Para o coordenador da Comissão de Reciclagem da ABAL, Henio De Nicola, o resultado superou as expectativas do setor. “O índice de reciclagem de 2010 foi muito próximo ao recorde de 98,2% atingido em 2009, mostrando a maior eficiência da reciclagem, que absorveu e acompanhou o significativo incremento da produção e comercialização de latas de alumínio. É um feito para se comemorar, pois ratifica a hegemonia do País no cenário mundial da reciclagem”.

Vantagens socioeconômicas e ambientais
A reciclagem de latas de alumínio para bebidas movimentou no ano de 2010 cerca de R$ 1,8 bilhão. Somente a etapa de coleta injetou R$ 555 milhões na economia nacional, o equivalente à geração de emprego e renda para 251 mil pessoas.
Além dos benefícios sociais e econômicos, a reciclagem de latas de alumínio também favorece o meio ambiente. O processo de reciclagem utiliza apenas 5% da energia elétrica e libera somente 5% das emissões de gás de efeito estufa quando comparado com a produção de alumínio primário.