segunda-feira, 16 de maio de 2011

Mulheres vítimas de escalpelamento conseguem apoio na Amazônia

Presidente de Associação evita acidente que vitimou 244 em seis anos

Maria do Socorro Pelaes Damasceno poderia ter se resignado com a condição que a vida lhe impôs. Nascida em Macapá, ela não se curvou à peça que o destino lhe pregou quando tinha apenas 7 anos. Durante um trajeto de barco que fazia com os pais, o cabelo dela se enroscou no eixo que transfere a força do motor à hélice da embarcação – que gira a 1.800 rotações por minuto – e fica no meio do barco, geralmente, sem proteção alguma. O resultado foi que ela perdeu todo o couro cabeludo, as orelhas, as sobrancelhas e parte da pele do rosto, o que deixou a visão do olho esquerdo comprometida. Foram cerca de dez cirurgias ao longo dos anos, e ela terá que passar por nova operação. Apesar disso, ela reuniu forças para fundar a Associação de Mulheres Ribeirinhas e Vítimas de Escalpelamento da Amazônia e, aos poucos, tem conseguido dar voz a um grupo geralmente esquecido. Aos 29 anos e mãe de quatro filhos, Maria do Socorro já conseguiu uma grande vitória: em 2010 e 2011 não foram registrados acidentes como o que a vitimou. 
Por que o escalpelamento ainda é um drama para mulheres e crianças da região amazônica?
Durante muito tempo, a gente não teve apoio do empresariado, dos gestores municipais e estaduais. Mudaram os gestores, o novo governador já chamou a gente  para começar uma parceria boa. A Secretaria de Inclusão Social nos convocou para fazer a cobertura dos motores das embarcações. Acho que agora vai funcionar.
O que a senhora  contabiliza como avanços obtidos com a Associação das Mulheres e Vítimas de Escalpelamento da Amazônia?
Há dois anos não temos vítimas de escalpelamento no Amapá. A gente se fortalece para melhorar o cuidado. As vítimas estão recebendo indenizações e  dez têm apoio do INSS. Temos duas vítimas de escalpelamento que se formaram em pedagogia  graças a uma parceria com uma faculdade que concede bolsa de estudo integral para as vítimas. Em cinco anos da Associação, temos muito que agradecer. Está dando resultado, as meninas estão saindo de casa e se capacitando.  A gente quer que o governo e os empresários incluam as vítimas, pois  não entramos na cota dos deficientes físicos. É preciso dar oportunidades. Hoje estou preparada para qualquer emprego. Se derem essa oportunidade, não vão se arrepender.

Fonte: Jornal do Brasil

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