quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Amazônia aprende manejar produtos não-madeireiros

Embrapa leva tecnologia e conhecimento às comunidades tradicionais

Produtores rurais e comunidades tradicionais do Acre, Amapá, Amazonas, Rondônia, Roraima e Pará vão contar com tecnologia desenvolvida pela Embrapa Amazônia Ocidental, sediada no Amazonas, para executar projetos de manejo sustentável e valorizar produtos florestais não-madeireiros. Óleos e frutos de espécies florestais constituem alternativas de renda e garantem a permanência das populações tradicionais em suas áreas.
Sabedora dessa realidade, a Embrapa Amazônia Ocidental orienta os produtores sobre a importância das técnicas de de manejo sustentável e a necessidade de conhecimentos básicos acerca da ecologia das espécies florestais. A orientação nesse sentido é feita por meio de estudos do projeto Kamukaia nos seis estados da região.
A meta do projeto Kamukaia é consolidar informações de ecologia e manejo de espécies florestais com uso não-madeireiro na Amazônia que auxiliem na recomendação de práticas de manejo sustentável. O nome do  projeto Kamukaia é inspirado nas palavras Kamuk e Aka que para a etnia indígena Wapixana que vive em Roraima, significa  produtos da floresta.
E as pesquisas já começaram a ser conhecidas. Na semana passada, a Embrapa apresentou os resultados das pesquisas desenvolvidas no Amazonas aos produtores da Comunidade Nossa Senhora do Rosário, em Parintins (AM).
Os primeiros resultados do projeto mostraram que uma mesma espécie pode ter características e comportamentos ecológicos diferenciados em função da região de ocorrência e que as regras de manejo ou as previsões de produção podem ser diferentes.
Rede de pesquisa
O projeto é executado em uma rede de pesquisa criada pela Embrapa, que tem a coordenação pela Embrapa Acre, com participação das unidades da Embrapa nos estados da região Norte. As pesquisas são realizadas com enfoque em estudos ecológicos e experimentos de manejo com a castanha-do-Brasil, andiroba, copaíba e cipó titica.
As espécies estudadas pela Embrapa Amazônia Ocidental no Amazonas são a castanheira (Bertolletia excelsa), andirobeira (Carapa guianensis) e copaibeira (Copaifera spp). O enfoque do estudo são a estrutura e dinâmica da população dessas espécies, sua produção na floresta nativa e em plantios a fim de obter informações técnicas para subsidiar políticas públicas para os produtos da sociobiodiversidade.
As atividades da pesquisa em Parintins estão sendo feitas há mais de um ano e meio, coordenadas pelos pesquisadores da Embrapa Amazônia Ocidental, Nestor Lourenço e Silas Garcia, em parceria com alunos da Universidade Estadual do Amazonas (UEA),  bolsistas da Fapeam e comunitários rurais.
O pesquisador Nestor Lourenço destaca que uma característica do projeto é que em toda a região norte as atividades são realizadas em áreas extrativistas, em contato direto com as populações que convivem com a floresta e o projeto valoriza o intercâmbio de saberes e a pesquisa-ação.
“É preciso reconhecer o papel importante dos extrativistas para a conservação da Amazônia, que durante séculos tiram produtos da floresta mantendo-a em pé”, afirma Nestor. “Porém, para atender a uma demanda crescente por esses produtos em mercados diferenciados e fazer com que o uso sustentável da biodiversidade amazônica possa viabilizar a inserção socioeconômica dessas populações tradicionais é preciso associar o conhecimento científico ao conhecimento tradicional para promover o manejo e uso sustentável desses produtos”.

(*) É repórter da Embrapa Amazônia Ocidental

AGÊNCIA AMAZÔNIA e SÍGLIA REGINA - MANAUS, AM
Fonte: Agência Amazônia de Notícias

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